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encontro
um dia o meio se fez mistério e se dissipou feito nuvem. o começo e o fim se viram então, frente a frente. levaram um susto! eram iguais. só que como irmãos. não. eram a mesma coisa, mas com o tempo no tamanho da barba, na cor dos cabelos e na fundura das rugas na testa do fim. no começo havia um rosto vermelho e doído de tanto sorrir. no fim, olhos cansados e também vermelhos, marejados.
ambos pareciam querer significar muito. ambos incisivos, marcantes, definitivos. o começo disse que tudo lembrava o outro. tudo, absolutamente qualquer coisa. da cor do sofá à chuva que entra discreta pela janela. o fim também disse o mesmo e pôs a culpa no começo. o começo desculpou-se de sua ansiedade. o fim disse que não entendia nada do meio (ao contrário do que se pensa: os fins não justificam os meios). o começo disse que se o meio se repetisse, o imitasse em tudo, absolutamente qualquer coisa, o fim com certeza seria diferente, igual, e tão jovem e feliz quanto.
o começo quis saber de seus sonhos. mas nem todos eram lembranças no fim. houve silêncio. para que o começo pudesse permanecer sempre alegre o fim deu-lhe um abraço. longo. apertado.
o meio voltava, mas já não guardava segredos entre os dois. queriam dizer até logo, mas ouviu-se adeus.
quando o fim voltou ao seu lugar, absoluto, já não estava tão certo de querer conhecer um outro começo qualquer. eloqüente, egoísta, arrogante e egocêntrico que era, pensou em ser o último fim, o mais importante.
o resto é silêncio.
Comments: pessoas levaram pro pessoal...
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