wa terceira pessoa - lado c:
"há uma pessoa, primeira, que sou eu para mim.
há uma segunda pessoa, que sou eu segundo você.
mas há, ainda,
a terceira pessoa
que nos lê e descreve.
e nem eu nem mim sabemos nada mais além disso." o a(u)tor

textos: daniel farias desenhos: cícero neves

"se não sais de ti, não chegas a saber quem és" josé saramago


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wDomingo, Abril 12, 2009



a terceira pessoa morreu.

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wTerça-feira, Dezembro 09, 2008



atos

o pano caiu
e o aplauso não veio
o plano decaiu
com o acaso no meio

o peso do imprevisto
efêmero e perene
preso o improviso
ímpeto imimente

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w



encontro

um dia o meio se fez mistério e se dissipou feito nuvem. o começo e o fim se viram então, frente a frente. levaram um susto! eram iguais. só que como irmãos. não. eram a mesma coisa, mas com o tempo no tamanho da barba, na cor dos cabelos e na fundura das rugas na testa do fim. no começo havia um rosto vermelho e doído de tanto sorrir. no fim, olhos cansados e também vermelhos, marejados.

ambos pareciam querer significar muito. ambos incisivos, marcantes, definitivos. o começo disse que tudo lembrava o outro. tudo, absolutamente qualquer coisa. da cor do sofá à chuva que entra discreta pela janela. o fim também disse o mesmo e pôs a culpa no começo. o começo desculpou-se de sua ansiedade. o fim disse que não entendia nada do meio (ao contrário do que se pensa: os fins não justificam os meios). o começo disse que se o meio se repetisse, o imitasse em tudo, absolutamente qualquer coisa, o fim com certeza seria diferente, igual, e tão jovem e feliz quanto.

o começo quis saber de seus sonhos. mas nem todos eram lembranças no fim. houve silêncio. para que o começo pudesse permanecer sempre alegre o fim deu-lhe um abraço. longo. apertado.

o meio voltava, mas já não guardava segredos entre os dois. queriam dizer até logo, mas ouviu-se adeus.

quando o fim voltou ao seu lugar, absoluto, já não estava tão certo de querer conhecer um outro começo qualquer. eloqüente, egoísta, arrogante e egocêntrico que era, pensou em ser o último fim, o mais importante.

o resto é silêncio.

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w



pingente

meus dedos
passeiam
suas orelhas
minha mão
se pendura
feito
um enfeite
eu
brinco


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w



frente

e

verso

pode ser

mas se me escondo

sim

e me desfarço

que talvez

é menos dureza

assim

e mais cansaço

de frente

de ser atingido


meu verso

tantas vezes

pareça

e tão fácil.

face avessa

me olho no espelho

de mim

e não me reconheço no 3x4

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shiver

gosto quando me arrepias até a nuca sem sequer me tocar. e eu nem me toco quando já fecho os olhos só pra te ouvir. a fala doce, gentil. respiro lento. fico ali por mais um milênio se você quiser. se você deixar.

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